A santa de 13 anos que morreu ao comungar pela primeira vez


Descobri a existência da Beata Imelda Lambertini entre 2009 e 2010, quando ainda administrava o antigo blog 'Católicos Tradicionais'. Sempre me atraí por santos desconhecidos, e de imediato, algo me chamou a atenção quando sem querer descobri a sua existência. Não consigo descrever a forma com a qual a minha alma se sentiu chamada por Imelda e sua fantástica história, mas sempre foi frustrante o fato da sua curta vida ser sempre resumida em pouquíssimos parágrafos, e em cada site disponível na internet, o resumo da sua história era sempre uma reciclagem do que poderia ser lido em qualquer outro site. Não havia aquela profundidade de detalhes que tanto gostamos de ler quando nos detemos na vida de algum santo. Apesar de tudo, nutri desde então uma forte devoção a ela. Em 2013, quando ainda morava no convento dos Frades Franciscanos da Imaculada, tive acesso a registros históricos sobre a sua vida. Eram informações que eu jamais havia visto antes e tudo aquilo me acendeu uma luz: talvez eu pudesse trabalhar aquele punhado de novas informações e, quem sabe, escrever uma história um pouco mais completa. A ideia, porém, permaneceu engavetada até 2018, quando, novamente, por um ato da providência, consegui um livreto antigo da metade do século XX, escrito por um sacerdote dominicano que era biógrafo da Beata Imelda. Era o que eu precisava para finalmente colocar em prática o antigo desejo de conhecer mais sobre a vida desta santa menina.

Então, entre 2018 e 2025, dediquei meus esforços à construção da biografia mais completa que eu poderia oferecer. Imelda precisava ser conhecida por todos. Entre períodos que o trabalho fluía como um rio caudaloso, e momentos onde mais parecia o sertão pernambucano em tempos de seca, a obra pouco a pouco vinha sendo concebida e lentamente via a luz do dia. Logo percebi que a história de Imelda não poderia ser limitada somente a um foco narrativo básico que se limitasse a expor o seu nascimento, a sua vida e a sua morte. Notei desde cedo um grande tesouro oculto na vida desta jovem bolonhesa. Foi aí que, inspirado na extraordinária biografia escrita pelo Padre Francis Trochu sobre a vida de São João Maria Vianney, resolvi agregar à minha obra um pouco do seu estilo. E qual é o estilo? Trazer a construção desta santa não somente limitando-me, como falei há pouco, em falar do seu nascimento, vida e morte, mas trazer informações valiosas que, não necessariamente ocorreram enquanto ela estava viva entre nós. Enquanto Imelda nasceu em 1320, portanto, no século 14, procurei trazer à tona a origem da sua família, ainda no século X, e a partir daí, trouxe a origem da sua linhagem, de todos aqueles Lambertinis, fossem eles santos, fossem eles pecadores, relatando exemplos, fatos históricos relevantes e revelando nomes, cargos e tudo aquilo que julguei ser não somente interessante, mas também de grande importância para o leitor que se compraz em leituras regadas por crônicas e relatos históricos.

Depois procurei falar de como a Santa Igreja se encontrava naquele fatídico século 14, na pessoa do Papa que viveu durante o ano de nascimento e até a morte de Imelda, isto é, o Papa João XXII. Assim como a Santa Igreja está no centro da história, o papado não pode ter a sua importância relegada a um segundo plano: o Papa é, sempre foi e sempre será a pessoa mais importante do mundo, pois ele é o vigário do próprio Cristo, como confirmam as Sagradas Escrituras e a Tradição da Santa Igreja. Após este capítulo, já tendo ambientado o leitor naquela fase da idade média, eu o trago para o centro da história da nossa menina trançando as linhas do contexto histórico, social, econômico e eclesiástico, para somente desta forma a narração da vida de Imelda comece a fazer maior sentido ao retratar os seus pais, irmãos e demais parentes; o despertar da sua vocação religiosa a partir do exemplo da sua piedosa mãe e, por que não, fazer conexões com outras parentes suas que foram consagras na vida religiosa. 

Eu não poderia deixar de falar o motivo pelo qual Imelda optou por consagrar-se a Cristo no Mosteiro de Val di Pietra, fora dos muros de Bolonha, sem elencar em um capítulo especial a vida do fundador da Ordem dos Pregadores: São Domingos de Gusmão. Foi um capítulo necessário para unir assuntos desdobrados nas páginas seguintes às práticas religiosas e na vida dentro dos muros de Val di Pietra, revelando costumes de sua época a partir das constituições dominicanas vividas por Imelda e suas irmãs, bem como a regra agostiniana que fora adotada por Domingos diante do Papa Inocêncio III, quando solicitou ao Vigário de Cristo a aprovação da sua forma de vida. Um ponto que enriquece ainda mais a biografia de Imelda é a revelação dos nomes das monjas que viveram com ela, bem como o do padre capelão das monjas dominicanas que foi o responsável por lhe ministrar a sua primeira e última Comunhão eucarística.

Os últimos capítulos são dedicados à preparação de Imelda para a sua Páscoa e a sua profunda espiritualidade eucarística. Um deles é nomeado com uma frase que a sua tradição hagiográfica atribui a ela: "Jesus, meu Amado, como podem as pessoas receber o Vosso Corpo na Eucaristia e não morrerem de alegria?". Esse é, sem dúvidas, um dos pontos centrais e mais profundos do livro. Após a narrativa da sua Páscoa, a última parte é dedicada à história pós-Imelda: a questão das suas relíquias, da conservação da sua devoção entre os dominicanos e fiéis mais ligados espiritualmente à Ordem, além de um importantíssimo esclarecimento a respeito do seu corpo incorrupto, ou melhor, da "mentira" que é dita até os dias de hoje a respeito disso, mas que me preocupei em explicar detalhadamente a fim de que a verdade prevaleça; e, finalmente, falo dos movimentos provindos no seio da própria Igreja em favor da sua beatificação, mais especificamente com o Papa Leão XII em 1826 (200 anos este ano!) e até trago relatos de tentativas mais antigas de promoção da sua beatificação e canonização com o Papa Bento XIV, também membro da família Lambertini. 

Por fim, trago em primeira mão milagres registrados na Congregação para a Causa dos Santos, mas que infelizmente não foram suficientes ou favoráveis para a sua tão aguardada canonização. Vale acrescentar que também fiz um interessante trabalho analisando as Atas Apostólicas da Santa Sé, desde a sua primeira edição em 1909, sob o pontificado do glorioso e magno Papa São Pio X, até 2025, com Francisco, e nelas pude encontrar registros oficiais  com menções explícitas sobre causa de Imelda na Sagrada Congregação para os Santos.

Posso dizer que esta biografia valeu a pena ter demorado sete anos para ser finalizada, e foi no tempo providencial que ela foi publicada: justamente nos 200 anos da beatificação de Imelda e no mês da sua memória litúrgica. Meu mais sincero desejo é que ela, que é um verdadeiro Lírio da Eucaristia, seja mais conhecida, amada e imitada pelos fiéis desejosos de amar ao doce Cristo eucarístico com todo o coração. Minha motivação não é financeira, mas é devocional: Imelda sempre me foi muito favorável espiritualmente, então, a forma que encontrei para retribuir tantas graças que alcancei pela intercessão, proteção e amizade dela, é oferecer à Igreja uma singela biografia que tem como objetivo cativar e amolecer os nossos duros corações com o seu exemplo fervoroso.

Por isso, insisto: compre esta biografia e garanto que não haverá espaços para arrependimentos. Algumas vezes, enquanto escrevia esta obra, me parecia que a própria Imelda me iluminava o entendimento e auxiliava quando escrevia aquelas linhas específicas sobre os detalhes da sua vida interior. Portanto, este é um pequeno tesouro que atribuo como obra da própria Imelda, afinal, convenhamos, ela viveu com uma perfeição tal com apenas 13 anos de vida, que a sua história não pode mais permanecer oculta. Uma outra história como a de Imelda jamais foi vista e jamais será repetira. O seu derradeiro milagre também foi único na história da Igreja e jamais ocorrerá outro igual.

 

Sinopse: Imelda Lambertini: Padroeira da Primeira Comunhão

Como relíquias preciosas guardadas em relicários silenciosos, certas histórias esperam o momento oportuno para serem reveladas. A vida da Beata Imelda Lambertini é uma dessas histórias: singela, breve e, ao mesmo tempo, profundamente transformadora. Oculta por séculos entre os registros discretos da tradição dominicana e quase ausente da memória popular dos santos, Imelda ressurge neste livro com o esplendor de uma joia reencontrada, reluzente não por sua própria luz, mas pela luz do Cristo Eucarístico que nela habitou com ardor indescritível. Rodrigo Luna oferece-nos aqui muito mais que uma biografia. A obra percorre não apenas os fatos da vida de Imelda, mas o seu contexto histórico, social, familiar e eclesial. O leitor é introduzido ao coração do século XIV, à cidade de Bolonha e à nobreza dos Lambertini, mas, acima de tudo, é convidado a adentrar o claustro interior de uma menina que, antes de tudo, compreendeu com lucidez aquilo que muitos adultos jamais entenderão: a presença real de Jesus na Eucaristia.


Pe. Jurandir F. Dias Jr. 

 Reitor do Oratório de Nossa Senhora do Rosário


Ficha Técnica:
ISBN: 9788584915705
Editora: Ecclesiae
Dimensões: 11.50 x 17.50 cm
Edição: 1
Idioma: Português
Páginas: 248
Encadernação: Brochura
Com zíper: Não



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