Honrai o vinho!



O Sacrossanto Concílio de Trento ensina e professa dogmaticamente que, no augusto sacramento da sagrada Eucaristia, após a consagração do pão e do vinho, Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e homem, está verdadeira, real e substancialmente contido sob a espécie dessas coisas sensíveis

Embora mal possamos expressar tal fé em palavras, podemos, pelo entendimento iluminado pela fé, conceber, e devemos crer firmemente, ser possível a Deus; pois assim todos os nossos antepassados, todos os que estavam na verdadeira Igreja de Cristo, que trataram deste santíssimo Sacramento, professaram abertamente, que o nosso Redentor instituiu este tão admirável sacramento na Última Ceia, quando, após a bênção do pão e do vinho, Ele testificou, em palavras expressas e claras, que lhes deu o Seu próprio Corpo e o Seu próprio Sangue; Palavras que, registradas pelos santos Evangelistas e posteriormente repetidas por São Paulo, carregam consigo o significado próprio e manifesto com que foram entendidas pelos Padres da Igreja.

E porque Cristo, nosso Redentor, declarou que aquilo que ofereceu sob a espécie do pão era verdadeiramente o Seu próprio corpo, sempre foi uma firme crença na Igreja de Deus, o santo Concílio declarou, que, pela consagração do pão e do vinho, ocorre a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do Seu sangue; conversão essa que a santa Igreja Católica chama, apropriada e propriamente, de Transubstanciação.

Para com o preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos nutrir uma particular devoção, já atestada inicialmente pelo Papa Beato Pio IX e conferida a toda a Igreja pelo Papa João XXIII, com uma reflexão simples e direta: 

Em potência, qualquer homem pode chegar a ser Papa, entretanto, nenhuma bebida, seja a água, a cerveja, o whisky, o gin ou a vodka, em potência, pode vir a se tornar o Preciosíssimo Sangue de Jesus na Santa Missa. Este privilégio é único e exclusivo do vinho. Não à toa, o Rev. Dr. Padre Gregory Hesse, de saudosíssima memória, tinha para com esta bebida uma peculiar e bem humorada reverência, e dizia: 


"Para com o vinho, eu tenho muita 

reverência, pois, em potência, é Deus."


Digamos com São Gaspar del Búfalo, a abrasada oração em honra ao Santíssimo e Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo:


Precioso sangue do meu Senhor,

que eu possa vos abençoar sempre.

Amor do meu Senhor, que se tornou chaga,

quanto estamos longe de nos conformar com a vossa vida.

Sangue de Cristo, bálsamo das nossas almas e fonte de misericórdia, fazei que a minha língua, avermelhada de sangue na celebração diária da Missa, possa abençoar-vos agora e sempre.

Senhor, quem não vos amará?

Quem não se consumirá de carinho por vós?

As vossas chagas, vosso sangue, os espinhos, a cruz e, sobretudo, o sangue divino, derramado até à última gota, clamam com voz eloquente ao meu pobre coração!

Visto que agonizastes e morrestes por mim, para me salvar, eu também darei, se necessário, a minha vida, para conseguir a beatitude do céu.

Jesus, vós vos fostes a nossa redenção.

Do vosso peito aberto, arca de salvação, fornalha de caridade, saiu sangue e água, sinais dos sacramentos e da ternura do vosso Amor, Jesus Cristo, que nos amou e nos lavou com o seu Sangue!


Da próxima vez que tomarmos uma taça de vinho, talvez seja conveniente elevar a particularidade do momento dirigindo um pensamento ao Céu, até o Sagrado Coração de Jesus, honrando esta bebida que, em potência, poderia se tornar o próprio Sangue de Nosso Senhor, mas que está ali, diante de nós, como uma simples bebida, para aprazer o nosso paladar.


Viva o preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo!



Rodrigo Luna

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